ISRAEL X PALESTINA I
O histórico do conflito
A terra prometida segundo as tradições
Segundo textos bíblicos, a região de Israel, conhecida antigamente como Canaã, foi prometida por Deus a Abraão, portanto, os judeus consideram que a região é a sua terra prometida.
Porém, existem outras interpretações: entre os muitos filhos de Abraão, focaremos em Ismael e Isaac. Conforme interpretações, Isaac foi quem deu origem a todos os judeus e Ismael quem deu origem a todos os árabes, sendo assim os árabes consideram que essa terra é prometida a eles também.
Mudanças de domínio e nomes da região
A região já teve muitos nomes e várias cidades importantes, como por exemplo a Judéia, porém quando os romanos dominaram a região, a batizaram de Palestina.
Houveram muitos conflitos entre judeus e romanos, o que levou à expulsão em massa de judeus por volta do ano 70 d.C.
Após a diáspora judaica, eles passaram a ocupar o Norte da África, a Europa e o restante do mundo. Apesar disso, a perseguição aos judeus continuou de maneira intensa, persistindo ao longo de boa parte de sua história.
Ocupação árabe e o surgimento do sionismo
Posteriormente, os árabes muçulmanos passaram a ocupar territórios da Palestina. Até que no século XIX, o jornalista judeu húngaro Theodor Herzl, a qual muitos atribuem ser o criador do sionismo, afirmava que se os judeus quisessem continuar existindo, eles deveriam ter um Estado próprio, de preferência na região da Palestina.
Domínio britânico após a Primeira Guerra Mundial
Ainda no século XIX, a Palestina estava sob domínio do Império Otomano e no começo do século XX, houve a eclosão da Primeira Guerra Mundial.
Como o Império Otomano foi um dos derrotados, a região passou a ser dominada pelos britânicos.
Depois de assumir o controle da região, o Reino Unido concordou em estabelecer um território na Palestina para o povo judeu, mas também concordou na criação de um espaço para os árabes palestinos.
Os judeus alegavam ter ligações históricas com a terra, mas os árabes palestinos se opunham e também faziam reivindicações.
Declaração de Balfour e a tensão crescente
Em 1917, foi assinada a Declaração de Balfour, criada pelos britânicos no intuito de facilitar a criação de um Estado judeu na região, desde que não houvesse interferência aos povos não judeus que ali viviam.
Durante a década de 1920, houve uma imigração em massa de judeus para a região, o que não agradou aos árabes que já viviam ali. Entre 1920 e 1930, muitos judeus compraram terras dos árabes que viviam na região e formaram comunidades exclusivas para judeus.
Revoltas árabes (1936–1939) e o Livro Branco
Conforme a crescente chegada de judeus na região, houve uma escalada de tensões entre ambos os lados.
A imigração em massa não foi bem vista pelos árabes, que consideravam a ação colonialista, pois os mesmos acreditavam que os judeus estavam ocupando sua terra prometida.
Entre os anos de 1936 e 1939, houveram revoltas árabes contra a imigração judaica e o controle inglês na região, até que em 1939 houve a publicação do Livro Branco, que buscava inserir árabes e judeus no governo local de maneira proporcional ao número de habitantes que vivia na região da Palestina e, em um período de 10 anos, eles poderiam criar um Estado próprio.
O Livro também limitou a imigração judaica para a região e a compra de novas terras. Porém, poucos meses após a publicação do Livro, se iniciou a Segunda Guerra Mundial.
Pós-Holocausto e o plano da ONU (1947)
Após o fim do conflito que resultou em 6 milhões de judeus mortos, o cenário de violência entre judeus e árabes escalonava cada vez mais, até que em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) deliberou que a Palestina fosse dividida em dois territórios: um Estado judeu e um Estado árabe, e a cidade de Jerusalém seria considerada uma cidade internacional. As nações árabes da região não concordaram com a resolução e o principal argumento era que os judeus teriam mais terras embora sua população fosse numericamente menor.
Após isso, o Reino Unido não tomou parte na decisão, optando por entregar o assunto diretamente à ONU em 14 de Maio de 1948. As lideranças judaicas na Palestina anunciaram a criação de um estado independente denominado Israel, horas antes do fim do controle britânico e Israel foi reconhecido pela ONU em 1949.
Primeira Guerra árabe-israelense
Um dia após a declaração de independência de Israel, as tropas dos cinco países árabes* atacaram e cercaram Israel. No país, o conflito foi denominado como guerra de independência.
A batalha terminou com um armistício em 1949 e os israelenses tinham domínio da maior parte do território. Entre alguns termos da resolução do conflito, Israel passou a ocupar Jerusalém Ocidental, a Jordânia passou a ocupar a Cisjordânia e Jerusalém Oriental e o Egito ocupou a Faixa de Gaza. Em árabe, esse evento é conhecido como Nakba (Catástrofe)
*Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque
Guerra dos Seis Dias
A Guerra dos Seis Dias foi uma luta armada de Israel contra a Jordânia, Síria e Egito. A luta se iniciou após Israel lançar um ataque contra tropas egípcias sob alegação de movimentação militar perto de suas fronteiras. Após isso, tropas israelenses também invadem a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, territórios egípcios. Jordânia e Síria, os principais aliados do Egito, lançam uma ofensiva contra os israelenses e Israel invade ambos os países. As Colinas de Golã, pertencentes a Síria passam a ser controladas por Israel e uma parte do território da Cisjordânia é ocupada pelos israelenses, e que segundo a ONU, tal ocupação é considerada ilegal.
O conflito de fato durou 6 dias e terminou com a vitória de Israel, porém a ocupação na Cisjordânia não é reconhecida internacionalmente como parte de Israel e a Liga Árabe afirmou que não havia motivos plausíveis para o governo israelense lançar os ataques.
Em 1979, Egito e Israel assinaram um acordo de paz e a Península do Sinai foi devolvida aos egípcios.




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